Abandono afetivo, quando a ausência também machuca
- Chagas Advogados

- há 3 dias
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O abandono afetivo ocorre quando a falta de cuidado e presença causa danos emocionais. Entenda quando a Justiça reconhece essa ausência e quais são seus impactos.
Quando estar vivo não significa estar presente
Nem toda ausência é física.
Há pais que existem no papel, mas não na vida.
Que cumprem obrigações formais, mas ignoram o que realmente sustenta um vínculo, presença, cuidado e atenção.
O abandono afetivo nasce nesse espaço vazio, onde a criança cresce sem referência emocional, sem escuta e sem acolhimento.
Não é sobre luxo, presentes ou promessas, é sobre constância.
É sobre estar ali quando importa.
Muitos adultos só percebem esse vazio anos depois, quando entendem que o que faltou não foi dinheiro, foi afeto estruturado.
O que é o abandono afetivo
O abandono afetivo ocorre quando um dos pais, mesmo tendo condições, se omite do dever de cuidado emocional com o filho.
Não se trata de exigir amor, mas de reconhecer que educar, orientar e acompanhar também são responsabilidades parentais.
A ausência reiterada, o desinteresse contínuo, a falta de participação na vida escolar, emocional e cotidiana podem caracterizar esse abandono.
Especialmente quando geram sofrimento psicológico comprovado.
Um exemplo comum é o do filho que cresce sem qualquer contato com o pai ou a mãe, sem explicações, sem apoio e sem referência, desenvolvendo sentimentos de rejeição e insegurança que se estendem à vida adulta.
Os impactos emocionais do abandono afetivo
O abandono afetivo deixa marcas profundas.
Crianças privadas de cuidado emocional tendem a desenvolver baixa autoestima, dificuldade de confiar e medo de rejeição.
Na vida adulta, esses reflexos aparecem em relacionamentos instáveis, dificuldade de estabelecer vínculos e sensação constante de inadequação.
O que não foi cuidado na infância costuma ecoar por muitos anos.
Por isso, o debate sobre abandono afetivo não é sobre punição, é sobre responsabilidade.
Sobre reconhecer que a ausência também causa dano.
Quando o abandono afetivo é reconhecido pela Justiça
A Justiça brasileira tem reconhecido, em casos específicos, que o abandono afetivo pode gerar dever de indenizar.
Isso acontece quando fica comprovado que a ausência causou dano emocional relevante e evitável.
Não se trata de monetizar o afeto, mas de responsabilizar quem, podendo cuidar, escolheu se omitir.
O foco não é o valor da indenização, mas o reconhecimento do sofrimento e da falha no dever parental.
Cada caso é analisado individualmente, com base em provas, histórico familiar e impacto psicológico.
Por isso, generalizações não se aplicam.
O papel da advocacia nos casos de abandono afetivo
A atuação jurídica em situações de abandono afetivo exige sensibilidade e cautela.
Nem toda relação distante configura abandono, e nem todo sofrimento gera responsabilidade jurídica.
O advogado atua para avaliar o caso com profundidade, orientar sobre provas, limites legais e caminhos possíveis.
Também é papel da advocacia evitar que mágoas legítimas se transformem em disputas improdutivas.
Mais do que buscar reparação, o objetivo é dar nome à dor, reconhecer o impacto e promover encerramentos mais conscientes.
👉 A presença constrói, a ausência também ensina, mas muitas vezes ensina dor. Reconhecer o abandono afetivo é um passo para transformar silêncio em responsabilidade e ferida em recomeço.
por Chagas Advogados
✨ Recomeços guiados pela lei, e por quem se importa.





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