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Abandono afetivo, quando a ausência também machuca

  • Foto do escritor: Chagas Advogados
    Chagas Advogados
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura
Menino sentado nos trilhos de trem, encostado em um ursinho de pelúcia, com expressão triste ao ar livre.

O abandono afetivo ocorre quando a falta de cuidado e presença causa danos emocionais. Entenda quando a Justiça reconhece essa ausência e quais são seus impactos.


Quando estar vivo não significa estar presente


Nem toda ausência é física.

Há pais que existem no papel, mas não na vida.

Que cumprem obrigações formais, mas ignoram o que realmente sustenta um vínculo, presença, cuidado e atenção.


O abandono afetivo nasce nesse espaço vazio, onde a criança cresce sem referência emocional, sem escuta e sem acolhimento.

Não é sobre luxo, presentes ou promessas, é sobre constância.

É sobre estar ali quando importa.


Muitos adultos só percebem esse vazio anos depois, quando entendem que o que faltou não foi dinheiro, foi afeto estruturado.


O que é o abandono afetivo


O abandono afetivo ocorre quando um dos pais, mesmo tendo condições, se omite do dever de cuidado emocional com o filho.

Não se trata de exigir amor, mas de reconhecer que educar, orientar e acompanhar também são responsabilidades parentais.


A ausência reiterada, o desinteresse contínuo, a falta de participação na vida escolar, emocional e cotidiana podem caracterizar esse abandono.

Especialmente quando geram sofrimento psicológico comprovado.


Um exemplo comum é o do filho que cresce sem qualquer contato com o pai ou a mãe, sem explicações, sem apoio e sem referência, desenvolvendo sentimentos de rejeição e insegurança que se estendem à vida adulta.


Os impactos emocionais do abandono afetivo


O abandono afetivo deixa marcas profundas.

Crianças privadas de cuidado emocional tendem a desenvolver baixa autoestima, dificuldade de confiar e medo de rejeição.


Na vida adulta, esses reflexos aparecem em relacionamentos instáveis, dificuldade de estabelecer vínculos e sensação constante de inadequação.

O que não foi cuidado na infância costuma ecoar por muitos anos.


Por isso, o debate sobre abandono afetivo não é sobre punição, é sobre responsabilidade.

Sobre reconhecer que a ausência também causa dano.


Quando o abandono afetivo é reconhecido pela Justiça


A Justiça brasileira tem reconhecido, em casos específicos, que o abandono afetivo pode gerar dever de indenizar.

Isso acontece quando fica comprovado que a ausência causou dano emocional relevante e evitável.


Não se trata de monetizar o afeto, mas de responsabilizar quem, podendo cuidar, escolheu se omitir.

O foco não é o valor da indenização, mas o reconhecimento do sofrimento e da falha no dever parental.


Cada caso é analisado individualmente, com base em provas, histórico familiar e impacto psicológico.

Por isso, generalizações não se aplicam.


O papel da advocacia nos casos de abandono afetivo


A atuação jurídica em situações de abandono afetivo exige sensibilidade e cautela.

Nem toda relação distante configura abandono, e nem todo sofrimento gera responsabilidade jurídica.


O advogado atua para avaliar o caso com profundidade, orientar sobre provas, limites legais e caminhos possíveis.

Também é papel da advocacia evitar que mágoas legítimas se transformem em disputas improdutivas.


Mais do que buscar reparação, o objetivo é dar nome à dor, reconhecer o impacto e promover encerramentos mais conscientes.


👉 A presença constrói, a ausência também ensina, mas muitas vezes ensina dor. Reconhecer o abandono afetivo é um passo para transformar silêncio em responsabilidade e ferida em recomeço.


por Chagas Advogados

✨ Recomeços guiados pela lei, e por quem se importa.

 
 
 

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